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Chiquita Bacana


Queridos e Queridas, Chiquita Bacana volta à ativa!!!!! E agora é prá valer!!!

E como não poderia deixar de ser, estou com muitas novidades!!!!

Após passar pelo perrengue do término da faculdade - que até que enfim acabou - e de me empanturrar de chester, peru (hum, que delícia) e de cantarolar "Noite Feliz" e "Adeus ano Velho", aqui estou eu para minha promessa para 2009: a de manter meu, ou melhor, nosso blog atualizado!!!

E começarei o ano com um dos assuntos mais comentados nos últimos dias - não, não é o show da Madonna e muito menos a queima de fogos em Pirapora do Bom Jesus.

Uma banana nanica com aveia a todos para começarmos o ano com o pé direito!!!

                                    

 

 

A Reforma de inicio de ano

Ano novo, vida nova. Quantas vezes voce ja ouviu essa frase nos ultimos dias e nos ultimos anos novos que voce passou?

Dessa vez começamos o ano com uma reforma logo de cara.

Pois e caros amigos, a reforma ortografica.

Acabei de terminar o curso de Letras e tenho que voltar para a sala de aula, tudo por conta de uma reforma que deseja unificar a lingua portuguesa em todos os paises onde ela e falada.

Os portugueses estao putos da vida pois acham que a reforma favorece mais o Brasil do que outros paises e alguns chegam a dizer que nao vao adequar a nova reforma para que ela caia por terra.

Vamos entao as vacas frias, como diria um professor meu. Uma reforma ortografica preve mudanças significativas numa determinada lingua, principalmente na questao da oralidade, quando esta se distancia muito da lingua escrita.  Por exemplo, ha muito tempo para utilizarmos o pronome de tratamento voce, utilizavamos o vossa merce, que depois de um tempo virou vosmerce e hoje utilizamos o voce que tudo indica que no futuro seja aceita a forma "ce".

Essa reforma, especificamente, trata da ortografia dos acentos para nós, brasileiros, e da "caida" de algumas letras em algumas palavras para os portugueses, como "facto" que passará a ser "fato" como para nós brasileiros.

Agora uma reflexão: como unificar uma língua entre países tão diferentes, com costumes e modos de falar tao diferentes? Ouvi um telejornal dizer que essa reforma e so para a lingua escrita, que a maneira de como e falada continua igual para cada pais. Era so o que me faltava, me falarem como eu devo falar. Ja imaginaram uma reforma para unificar a lingua falada?

Bom, o que eu quero dizer com tudo isso e: uma lingua escrita e um molde congelado para a lingua falada. Isso nao quer dizer que devemos falar assim como escrevemos em todas as situaçoes, mas ela deve ser baseada na oralidade, assim como uma reforma ortografica.

Agora me responda: com paises que tem culturas tao diferentes e consequentemente oralidades tao diferentes, e possivel que se tenha uma ortografia identica?

O que esta mais do que claro para mim são e que a unificaçao do idioma seja para que os estrangeiros entendam o portugues como uma lingua igual em todos os paises que a utilizam e, consequentemente, por ser um dos idiomas mais falados seja incluso na ONU e, assim, o Brasil tenha chances de entrar nela, além de e claro, ser interessante para o Brasil tirar as particularidades de cada acento e especificidade de cada palavra para ser mais facil para ensinar aos alunos, uma vez que o ensino de lingua portuguesa no Brasil e escasso.

Nao sou contra uma reforma ortografica, ela e necessaria para qualquer lingua de tempos em tempos. Sou contra a unificaçao de linguas tao diferentes quanto a lingua portuguesa em seus varios paises, achando que isso e a soluçao de todos os males, quando na verdade e tudo uma questao politica onde cada pais vai perder pontos de sua identidade.

Mas, como nao tem jeito, vamos nos adequar a ela. E como por enquanto, como nao sei onde tem acento e onde nao tem acento mais, escrevi o texto todo sem acento.        



Escrito por Chiquita Bacana às 13h36
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Olá povos e povas!!!! Chiquita Bacana está voltando à ativa!!!

Finalmente o TCC acabou e agora terei um pouco mais de tempo de me dedicar à vcs...

Não, ainda não tem texto novo... mas trouxe para vcs um vídeo educativo. O segundo turno das eleições estão aí e é importante que não nos deixemos enganar e nem sermos passados para trás.. o vídeo é em inglês, mas mesmo quem só entende o verbo “To be” e o famoso “The book is on the table” como eu consegue entender...

Bom fim de semana à todos e comam bastante banana com aveia para ficarem fortinhos e agüentarem o tranco das eleições.



Escrito por Chiquita Bacana às 20h10
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Escrito por Chiquita Bacana às 20h06
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Olá povo!!! Que frio mais fora do tempo é esse hein??? Em pensar que da última vez que eu bloguei eu ofereci banana split para vcs pq tava um calor desgraçado...

Bom, frios e calores a parte, estou blogando algo muito legal... Não, não é nenhum texto meu – e acho que vai demorar pq faculdade, TCC, estágio, trabalho, prova... estão me matando...

Fiquem com esse vídeo-clipe de uma música muito boa...

Um beijo e uma banana flambada, para ver se esquenta esse frio...



Escrito por Chiquita Bacana às 12h00
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Escrito por Chiquita Bacana às 11h56
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Olá queridos! Sei que devem ter sentido a minha falta, já que fiquei um longo tempo sem blogar... Sei, sei, estou em débito com vcs, mas como já havia avisado, daqui até dezembro as coisas serão punk para mim, afinal estou terminando a facu e finalmente serei letreira... hehehehe

Mas, por falar de mim, Chiquita, logo lembramos de carnaval, e o texto que estou blogando é justamente de um dos maiores carnavais brasileiros, mas que não acontece em fevereiro e sim em outubro.

Postei esse texto na véspera da comemoração da Independência do Brasil, por um motivo bem especial. O que temos de comemorar? Até que ponto somos independentes e livres?

Um beijo e uma banana split para todos, pois está um calor...

 

 

                                                                     

                                           

 

 

As coisas serão diferentes (?)

 

Começou a papagaiada da democracia brasileira.

Estamos próximos do dia em que decidiremos o futuro dos próximos quatro anos de nossa cidade e eu não sei ainda em quem votar.

Mas como decidir? Votar no candidato que trabalhou mais, ou no que roubou menos?

Ou será que devo votar naquele candidato que ninguém nunca ouviu falar na vida com propostas que ele nunca conseguirá cumprir? – apesar de ter algumas interessantes, como a lei do silêncio começar a valer também para as igrejas.

Talvez deverei votar no candidato mais caricato, porque esses não faltam.

O fato é que não há como se mudar o futuro de nosso país, ou cidade se não temos candidatos que sejam fortes o suficiente para mudar o que já está aí. Propostas vazias, propostas indecentes, será que eles pensam que o povo é burro? Bom, na verdade, o povo é burro, pois a responsabilidade das coisas estarem como estão é um pouco nossa.

Com a falta de pessoas que levem a democracia a sério, acabamos votando igual, e acabamos ficando com “sempre o mais do mesmo”.

Bom, já que não tem jeito, pois a democracia brasileira é algo que não é democrático, já que somos obrigados a votar, e nada séria, já que há votos comprados por pouco, analfabetos e pessoas que não sabem nem o que estão fazendo ali e o primeiro santinho que pegam na boca de urna é o do candidato em que ela vai votar, vamos no dia 05 de outubro às urnas para exercer o que nós fantasiamos com o nome de “exercício de cidadania” e com o sonho de as coisas serão diferentes.

E viva a festa da democracia brasileira!

 



Escrito por Chiquita Bacana às 13h50
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Olá povo! Boas notícias... os tempos de abstinência de carnavais estão no fim... minha internet está – aos poucos – voltando...

Mas como a notícia foi tão boa e tão repentina, ainda não tive tempo de preparar um textinho para vcs... por enquanto, fiquem com esse, é um pouco grandinho, mas vale a pena lê-lo.

E não esqueçam da banana, aliás temos que comê-las de dúzias para ficarmos fortinhos para as olimpíadas...

                                                                                          

                                                

 

Meu Ideal seria escrever...

 

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

 

 

 

Rubem Braga



Escrito por Chiquita Bacana às 15h51
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Olá pessoal!!!


Como vcs podem perceber, fiquei um bom tempo sem blogar...

Não, as bananas nanicas não acabaram e o carnaval também não passou... estou passando por alguns probleminhas técnicos... Fiquei sem internet, ou melhor, estou sem internet, por isso a demora em postar meus textinhos...

Mas, mesmo sem internet, estou de volta... para alegrias de uns e desespero de outros... hehehe... Em breve, postarei textos novinhos em folha!

Por enquanto, deixo uma mensagem para vcs... “Vamos ficar embriagados!”

E só para não perder o costume, uma banana nanica bem madura e docinha para vcs!

 

                                    

 

 

EMBRIAGAI-VOS

É necessário estar sempre bêbedo.
Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo,
que vos abate e vos faz pender para a terra,
é preciso que vos embriagueis sem cessar.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio,
na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida,
perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola,
a tudo o que canta, a tudo o que fala,
perguntai-lhes que horas são;
e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio,
hão de vos responder:
É hora de se embriagar!
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas!
De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.

Baudelaire




Escrito por Chiquita Bacana às 10h47
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É amigos e amantes! Ainda estou em semana de provas... parece que não acaba mais... Não tenho condições físicas nem psicológicas para escrever um texto, mas por enquanto fiquem em companhia de um poeta quase tão bom quanto eu! Beijos e quando acabarem essas malditas provas, estarei de volta!

 

                                                                

                         

 

 

 

CANÇÃO DO VENTO E DA MINHA VIDA


O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

 

Manuel Bandeira

 



Escrito por Chiquita Bacana às 20h13
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Povo de mi vida (nossa que portunhol lascado)... estou passando por um processo difícil que acontece duas vezes por semestre: entrarei em semana de provas... espero que entendam o momento difícil que estou passando e prometo que quando ele passar, terei muitos textos e bananas para blogar, já que entrarei de férias... por enquanto, continuarei a blogar textos e afins de pessoas quase tão maravilhosas quanto eu...

 Besitos... e as bananas virão depois...

 

                                                                 

 

 

 

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da terra, além do céu
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastros dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fudamental essencial
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar
o verbo pluriamar,
razão de ser e viver.

 

 

Carlos Drummond de Andrade

 



Escrito por Chiquita Bacana às 20h25
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Olá queridos! Sei que todos estão sedentos de minhas bananas e meus textos. Por enquanto não trouxe nenhum texto novo, mas trouxe algo maravilhoso. Conheci esse “cara” hoje na faculdade, fui apresentada à ele por meu profº de literatura e, ao conhecer os poemas dele, me apaixonei principalmente pelos efeitos visuais que ele causa. E são obras maravilhosas como esta que me faz ter a certeza do quanto é importante garimparmos as pérolas que ainda estão para ser descobertas na nossa – e nas outras – literatura. Beijos a todos. Aproveitem bastante o feriado prolongado, mas sem esquecer das bananas!

 

 

Indicação

 

Sim: o abismo oval atrai meus pés.

Leopardo familiar, a manhã se aproxima.

Preciso conhecer em que universo estou

E a que translações de estrelas me destinam.

Em três épocas me observo sustentando:

Na pré-história, no presente e no futuro.

Trago sempre comigo uma morte de bolso.

Assalta-me continuamente o novo enigma

E uma audácia imprevista me pressinto.

 

Arrasto minha cruz aos solavancos,

Tal qual profunda mulher amada e odiada,

Sabendo que ela condiciona minha forma:

E o tempo do demônio me respira.

Gentilíssima dama eternidade

Escondida nas raízes do meu ser,

Campo de concentração onde se dança,

Beatitude cortada de fuzilamentos...

Retiram-me o véu que sei de mim.

Ontem sou, hoje serei, amanhã fui.

 

 

Murilo Mendes            



Escrito por Chiquita Bacana às 20h42
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Sei que vcs estão se perguntando: “Existe uma terceira pessoa no caso Isabella?”, “Ronaldinho realmente é viado?”, “Onde está o padre voador?”, “Será que minha mãe gostou do presente que eu dei à ela?” e “Por onde andará Chiquita Bacana?”.

Confesso que as quatro primeiras perguntas são difíceis de responder... mas a última é fácil... não fui abduzida por nenhum E.T., não roubei, matei e muito menos virei freira... estou aqui, quase inteira, mas estou aqui... prometo não sumir mais e não deixar vcs preocupados e sedentos de bananas. Hasta la vista, baby!

 

 

Pobre Paulicéia Desvairada!

 

Era para ser um dia comum. Acordei cedo e saí atrasada, claro. Em São Paulo temos que sair no mínimo meia hora mais cedo do que o necessário para chegar à tempo onde queremos. Com a minha pressa, esbarrei numa pessoa. Ao pedir desculpas, tudo o que ouvi foi um elogio: “Vaca!”. Ignorei.

Consegui pegar o ônibus. Já é uma vitória. Tive que ir quase sentada em cima do motor do ônibus, mas há pessoas em condições piores, como aquele rapaz que está bem na porta do ônibus, que trafega com ela aberta, e tem de se segurar para não cair para fora.

De repente o ônibus pára. Todos xingam o motorista culpando o coitado pelo trânsito lento. O que ninguém vê a princípio é que há um atropelamento logo à frente, mas logo que o ônibus se aproxima, todos se espremem mais ainda – sim, sempre há como se espremer mais – e vêem o show de horror.

Quando finalmente consigo chegar ao meu primeiro destino, a estação de metrô, penso que a parte ruim de meu dia acabou. Meu pensamento e alívio se vão quando o metrô pára de repente por que uma pessoa se jogou na linha. Após muito calor e aperto, o metrô continua seu caminho até eu chegar ao meu segundo destino, o ponto de ônibus em que eu pego a terceira condução do meu dia.

Já no ponto, vejo uma senhora atravessando a rua quando passa um trombadinha correndo e levando a bolsa da senhora. A senhora entra em desespero. Vejo um policial, conto o ocorrido à ele e ele não faz exatamente nada, nem acalma a pobre senhora. Mas, não tenho mais tempo de pensar nisso porque pego logo o meu ônibus para finalmente chegar ao meu trabalho, quase uma hora atrasada.

- Bom dia. – digo aos meus colegas e chefe.

- Boa tarde. – É a única coisa que ouço da boca de meu chefe.

Nem tento explicar nada. Sei que ele não vai acreditar no que aconteceu e vai me culpar por não ter saído mais cedo de casa. Sento à minha mesa e começo a fazer meu trabalho mais do que entediante. Lamento-me de minha sorte, de meu chefe, calado. Esqueço-me da pessoa que foi atropelada, da que se jogou na linha do trem e da senhora que foi assaltada. Não tenho tempo para isso, estou sempre atrasada, sempre correndo, sempre pensando no meu próprio umbigo e no meu egoísmo.

Faço parte da Paulicéia Desvairada, que é o avesso do avesso do avesso do avesso.

Era para ser um dia comum. E foi.



Escrito por Chiquita Bacana às 21h28
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Olá queridos! Sei que demorei muito para postar, mas aqui estou eu de volta... não, não trouxe um texto novo... tentem entender, imaginem eu, a Chiquita Bacana, que está sempre em clima de carnaval e se vestindo com uma casca de banana nanica tendo que conviver com esse frio que está fazendo... acabei pegando um resfriado que num passa...

Ia escrever um texto hoje, mas com esse resfriado e com a companhia do Macunaíma, deu uma preguiça...

Bom, estou postando um vídeo de uma música ótima, de um cara maravilhoso, cantada por dois caras maravilhosos tbm... Beijos a todos e aguardem, logo terá novas bananas, digo, textos para vcs...

 



Escrito por Chiquita Bacana às 19h30
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Olá queridos! Para quem pensou que eu tinha sumido e que tinha quebrado a promessa, estou aqui de volta com um textinho novo... Desculpem a demora, mas minha internet funciona de maneira sazonal, de forma que tenho que esperar a boa vontade dela para poder blogar...

Bom, vamos ao texto... é uma crônica inspirada não só no meu cotidiano, mas no cotidiano de algumas pessoas principalmente do Gato Preto, que me relata o que acontece no seu dia-a-dia.

Uma banana nanica com canela a todos!

                              

 

A trilha sonora (que não é) da minha vida

 

“Parapapapapaparapapa” “Créuuuuu, Créuuuuu, Créuuuuu.”

A minha vida tem trilha sonora. Na verdade, trilhas sonoras.

Todos os dias sigo a minha batalha diária – assim como milhões de brasileiros. Saio de casa quando ainda é noite e volto quando já é noite. O impressionante é que me sinto numa novela, não por causa da vida corrida que tenho, mas pela trilha sonora – que, aliás, não é uma das melhores – que me segue.

Já começa nas primeiras horas da manhã. Pego o ônibus lotado e antes de passar pela catraca do cobrador já vejo pelo menos cinco cidadãos com celulares na mão. Já fico imaginando qual será a trilha sonora do meu início de dia, apesar de saber que todos os dias ela é mais ou menos igual. Após passar pela catraca e achar um cantinho para me espremer, eis que eu (não) consigo ouvir – por total contra vontade – a minha trilha sonora inicial: uma música black que está tocando ao lado de um pagode, que está tocando ao lado de um calypso, que está tocando ao lado de um rock emo e assim por diante. Na verdade, a trilha sonora da minha vida é como ela: bastante turbulenta.

Ao descer do ônibus penso comigo: “Que alívio!” não por causa do ônibus lotado, mas pelos meus ouvidos que não conseguiam mais ouvir aquela poluição sonora.

Triste ilusão a minha, pois logo depois vêm trem e metrô, onde a cena se repete, e ainda é pior, já que nestes o número de pessoas é maior, logo aumentam-se as possibilidades de celulares tocarem músicas cada vez mais diferentes ao mesmo tempo.

Chego ao meu trabalho, guardo as minhas coisas, ligo o computador e começo a trabalhar. Pouco tempo depois, surge uma figura raquítica, simpática e (aparentemente) inofensiva: é o meu chefe. Ele faz o mesmo ritual que o meu, com uma diferença: liga o seu som do computador. Já sei que as quatro músicas que ele vai ouvir durante a jornada de dez horas de trabalho, serão as mesmas da semana passada, da retrasada, da de um ano atrás, desde que eu entrei nesse lugar... Isso é o fim... que saudade da bagunça do ônibus, trem e metrô. Pelo menos eu poderia direcionar o meu ouvido e ouvir músicas diferenciadas.

Chega a hora de eu ir embora. Toda a saudade que eu estava das músicas embaralhadas eu mato agora. Começa tudo de novo. Os malditos celulares recomeçam a tocar – se é que pararam em alguma hora do dia. Não sei por que, mas se não me falha a memória, esses tipos de celulares vêem com fone de ouvido, não? Será que é um acessório tão avançado que esse povo não sabe usar?

Quando estou a ponto de perder a razão e gritar para esse povo desligar a merda dos celulares porque eu não estou afim de ouvir uma trilha sonora que não é a minha, meu celular toca: sem nenhum toque polifônico, sem nenhuma música, apenas com aquela musiquinha brega de celular de 7 anos atrás. Atendo o celular e começo a conversar com a pessoa do outro lado. Sim, eu ainda sou uma das raríssimas pessoas que usa o celular para fazer e receber ligações.

 



Escrito por Chiquita Bacana às 20h19
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Caso Isabella – parte 301766078620476520

 

É impressionante o que a mídia consegue fazer com algumas pessoas. O caso Isabella tomou tal proporção que ficou fora de controle. Pessoas deixando suas rotinas de lado para ficar à porta de delegacia e apartamentos dos suspeitos-condenados apenas para poder descontar uma raiva da morte de uma criança. Quantas crianças morreram de dengue nos últimos dias no Rio de Janeiro? Quantas crianças são mortas por ano como ou pior do que Isabella? Quantas crianças morrem de fome, de erros médicos e de tantas outras coisas?

Mas a vida delas é menos importante do que a de Isabella.

Não estou dizendo que a vida de Isabella não é importante, que o crime não chocou e etc, mas a mídia colocou de tal maneira como se fosse um caso isolado e não é. Só tomou a proporção que tomou por causa da classe social da família e pela mídia. Fora que hoje o que menos tem importância é a vida de uma criança que foi perdida, pois o que acontece hoje é  fazer bolão para saber quem foram os assassinos e como aconteceu o crime, ficar duas horas de um programa falando sobre o assunto e a cada cinco minutos fazer propaganda de algo e até fazer piadinhas sobre o assunto. O caso Isabella virou assunto para todos os gostos, para todas as idades e para todas as religiões.

E se você está se perguntando por que estou falando nesse assunto se sou totalmente contra tudo que está se fazendo é simples: já que todo mundo quer ganhar audiência ou se dar bem com tudo isso, eu também tô fazendo a minha parte!

Bom feriado recheado de bananas!

 



Escrito por Chiquita Bacana às 00h39
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